quarta-feira, 25 de julho de 2018

Milton Coelho é investigado por suspeita de desvio de dinheiro público


Matéria publicada pelo Blog "Ronda JC", que pode ser acessada AQUI e assinada pelo repórter Raphael Guerra revela que o ex-secretário de Administração do Governo Paulo Câmara, Milton Coelho, que se desligou do cargo para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, é investigado pela Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública e Serviços Públicos ( DECASP) pelo crime de Peculato. De acordo com o art. 312, do Código Penal, comete peculato o funcionário público que se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio. Também comete peculato aquele servidor público que embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário.

Ainda segundo o Ronda JC, Milton Coelho, que foi vice-prefeito do Recife na chapa petista comandada por João da Costa a quem substituiu por quatro meses quando o ex-prefeito teve que se licenciar por problemas de saúde, começou a ser investigado no início deste ano pela Delegada Patrícia Domingos, Titular da DECASP, que teria solicitado autorização ao TJPE para investigar o então Secretário, que à época ainda detinha prerrogativa de foro, o chamado "foro privilegiado". Antes da autorização ser deferida pelo TJPE, Milton Coelho deixou o cargo de secretário e perdeu o foro privilegiado. O Ministério Público de Pernambuco, inclusive, já teria dado parecer favorável às investigações contra o ex-presidente do PSB de Pernambuco.

O Ronda JC teria obtido, por telefone, confirmação da delegada Patrícia Domingos sobre a existência do Inquérito, entretanto, a titular da DECASP não deu detalhes sobre a investigação que estaria "sob sigilo"

A pena para o crime de peculato é de reclusão e varia entre dois e doze anos acrescida de multa.

Não é a primeira vez que o ex-presidente do PSB tem seu nome envolvido em investigações criminais. Em 2006, o ex-vice-prefeito do Recife teve gravações divulgadas por um militante do PSB de nome Saulo Batista que o acusava de tráfico de influência junto a órgãos federais em troca de recursos para sua própria campanha e para a campanha de Eduardo Campos ao governo de Pernambuco. O episódio ficou conhecido como "Escândalo da Sacolinha" porque segundo o denunciante, os recursos eram repassados a Coelho dentro de uma sacolinha em um dos shoppings da Capital pernambucana. Apesar das gravações, Milton Coelho acabou inocentado pelo TRE de Pernambuco das acusações de crime eleitoral. Por ocasião do julgamento, o TRE/PE chegou a encaminhar o caso ao Ministério Público de Pernambuco para que aprofundasse as investigações (Leia http://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2007/12/18/milton-coelho-e-inocentado-no-caso-da-sacolinha/)

Matéria publicada no G1 revelou que o então presidente regional do PSB e integrante de sua Executiva Nacional chegou a pedir afastamento dos cargos exercidos no seu Partido em razão da denúncia dando conta de "envolvimento seu na tentativa de articulação de um suposto esquema de desvio de recursos públicos no valor de R$ 1 milhão para financiamento da sua campanha."

A denúncia, diz o G1, "foi feita pelo ex-militante estudantil Paulo Batista da Silva, de 25 anos, que prometeu entregar nesta segunda, ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Eleitoral do Estado, gravações de conversas suas com Milton Coelho e com a mulher dele, Simone Coelho. As fitas revelariam a intenção de recebimento de propina em troca de gestão do PSB para aprovação, junto a Petrobras, de um projeto da empresa paulista Conceito Consultoria em Eventos Ltda., de instalação de uma pista de kart no gelo durante o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Orçado inicialmente em R$ 4,5 milhões, o projeto seria superfaturado para R$ 5,5 milhões."

Saulo Batista, que representava a empresa afirmava que o projeto já havia sido apresentado à Petrobras, que não demonstrou interesse. Orientado a buscar apoio político ao projeto, diz o G1, Saulo Batista procurou o PSB pernambucano, através de um amigo ligado à legenda, que o apresentou a integrantes do partido.

Ainda de acordo com o G1, depois dos primeiros contatos, Saulo Barista teria passado "a gravar as conversas, ao perceber que os socialistas queriam dinheiro para a campanha. Numa das conversas, Simone Coelho teria pedido R$ 1 milhão. Metade do valor seria adiantado - R$ 350 mil como contribuição legal à campanha do marido e R$ 150 mil por fora, sem recibo, em espécie. Os outros R$ 500 mil seriam pagos depois da aprovação do projeto."

COMO SURGIU A EXPRESSÃO "ESCÂNDALO DA SACOLINHA"

Nas gravações, segundo o G1, "Milton Coelho diz como seria feito o pagamento dos R$ 150 mil em espécie. 'A gente vai fazer assim: você leva uma sacolinha e eu levo uma sacolinha. Aí a gente senta, toma um café, demoramos 10, 15 minutos e na hora de ir embora eu pego a sua sacolinha e você pega a minha'. A gravação teria sido colocada no ar pelo jornalista César Rocha, no "Blog do JC", a quem Saulo Batista teria entregado cópias de duas fitas"

Nas gravações, segundo o G1, Milton Coelho teria explicado que não era fácil conseguir o patrocínio da Petrobras, porque 'o PT é quem manda ali'." Em sua defesa, Milton Coelho acusou opositores de fazerem uma "armação" e "extorsão frustrada" e ainda chamou seu acusador de "um maltrapilho, um louco".

Mais recentemente, outras gravações, também feitas por empresário que mantinha contratos com o Governo de Pernambuco revelaram a participação de Milton Coelho no episódio envolvendo o Banco do Nordeste, a Odebrecht e as empresas responsáveis pela PPP do Presídio de Itaquitinga, que naufragou apesar de empréstimos milionários sacados junto ao BNB, mesmo sem a conclusão das obras. Parte do presídio foi repassada ao Governo Federal, recentemente, em razão da incapacidade do Governo de Pernambuco concluir o projeto. Nas gravações, Milton Coelho aparece afirmando que a PPP de Itaquitinga era "um negócio já afundado".

Informações do Blog da Noelia Brito

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