domingo, 27 de julho de 2014

Apoio de prefeito pesa, mas até que ponto?


Omelhor cabo eleitoral para quem pleiteia um cargo majoritário ou proporcional é o prefeito. Pelo menos, era o que se pensava até as últimas eleições gerais em 2010. Com o índice de rejeição das administrações aumentando, os candidatos nas eleições deste ano encontram-se diante de um “beco sem saída”: se alinharem a um prefeito que tem sua gestão mal avaliada pela população ou optar por caminhar junto à oposição? Opinar sob essa ótica tem gerado opiniões divergentes, principalmente, para quem pleiteia mandatos de deputado estadual e federal, que são “dependentes” das indicações dos prefeitos.

“Não existe nenhum prefeito no Estado que tenha 50%de avaliação positiva. Todos estão tendo seus mandatos questionados pela população. Os prefeitos que estão mal avaliados atrapalham muito a majoritária”, declarou um deputado governista, em reserva. Parlamentares ouvidos pela reportagem admitem ser esta situação em grande parte dos municípios que apoiam a candidatura de Paulo Câmara (PSB) e isso pode atingir seu desempenho. Por conta disso, a solução encontrada para alavancar o projeto socialista foi tentar colocar adversários municipais no mesmo palanque estadual.

“Os prefeitos do PSB têm suas imagens vinculadas diretamente a Paulo Câmara. Agora, quando o prefeito é de um partido aliado, fica mais fácil se distanciar da imagem negativa que o gestor possui entre os eleitores. Tem muita gente que afirma não votar em ninguém indicado pelo prefeito”, exemplifica a fonte.

Para o deputado estadual Alberto Feitosa (PR), essa questão varia de acordo com o cenário político de cada cidade, no entanto ele defende a máxima de que a decisão diante da urna é pessoal e intransferível. “O voto para governador ou presidente é pessoal do eleitor. Independe da indicação do prefeito, ele sendo bem avaliado ou não. E o eleitor vai formando essa opinião com o guia eleitoral, conhecendo os candidatos. Isso não depende da força do prefeito”, comentou o republicano.


A presidente estadual do PT, Teresa Leitão, também não enxerga a rejeição ao prefeito sendo estendida ao seu candidato majoritário, senador Armando Monteiro Neto (PTB). “Isso não é uma regra. Claro que um prefeito bem avaliado agrega mais votos, mas se tratando de rejeição essa “perda” de votos não é automática. Depende muito da relação desse candidato com o município, comas lideranças”, declara. A petista também avalia que, apesar de os chefes dos executivos municipais serem importantes cabos eleitorais, não se deve ser creditado só a eles o peso da eleição de um governador. 

Por Mirella Araújo
Da Folha de Pernambuco

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